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Vida CiganaA vida nos leva por caminhos estranhos
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July 04 Os cães ladram Escrevo desde a adolescência, bastava encontrar uma folha em branco e ter uma idéia, já deitava lá algumas linhas. Pensava em ser escritora mas nunca me animei a procurar uma editora para publicar o que escrevia, talvez por achar que não tinha grande valor. Durante anos depois disso dediquei-me a criar meus filhos e a única atividade que eu tinha escrevendo eram as cartas que eu enviava para amigos em diversas partes do mundo. Às vezes entrava madrugada adentro escrevendo, o que era motivo de muita reclamação por parte do marido que eu tivesse na época. Uns mais, outros menos, mas todos se incomodavam com esse passatempo que em minha opinião não fazia mal a ninguém e era uma forma de botar pra fora essa vontade de escrever. Com a descoberta dos blogs comecei a dar vazão a esse impulso (por vezes compulsivo) e aos poucos fui perdendo essa auto-crítica comum a quem faz alguma coisa mas tem receio de expô-la aos olhos e à crítica de outros. Depois de alguns anos escrevendo em blogs (que tenho aos montes) não tenho mais o menor problema em expor o que escrevo. Se o que escrevo tem valor ou não, isso não me importa muito, o que eu quero é escrever. (zailda coirano) June 27 Singularidades Pensando no fato de que cada pessoa é diferente das outras, acabei de criar um blog só pra falar disso: Singular e espero ter sempre muita coisa para postar nele. May 25 Lista atualizada de blogs
March 11 MudançasMais uma vez mudar. Mudar de cidade, de vida, de emprego, de amigos, mudar tudo. Começar do zero, reiniciar, tudo novo. Tudo isso é muito bom, é um desafio, mas também assusta um pouco. Amor novo, casa nova, vida nova. Tudo novo ao mesmo tempo, coisa de doido mesmo. Mas eu sempre fui meio doida e acho que desgraça pouca é bobagem, fodido por um fodido por mil. Já que é pra mudar, vamos logo fazer uma mudança radical. Transformar a noite em dia, o branco em negro, o inferno em céu. Deixo meus filhos, minha cidade, meu emprego, meus amigos e alunos. Vou viver a quilômetros daqui com novo amor, nova escola, novo ambiente. NOVO é uma palavra ótima e eu adoro as palavras. Essa pra mim significa muito. Significa chance, oportunidade, renovação. Renovar é preciso, viver é preciso. Quantas vezes já fiz isso? Perdi a conta. Mas mesmo que à primeira vista pareça que a gente recomeça do zero, isso é uma fantasia. Trago muitas experiências de vidas anteriores, vidas que vivi antes de mudanças tão (ou mais) drásticas que esta. Adoro palavras como: radical, drástico, completamente, inteiro, total. E as aplico à minha jornada, caminho com elas, conto com elas sempre em minha vida. Duas palavras que não quero como companheiras: SEMPRE e NUNCA. Sempre farei assim ou nunca farei assado são duas coisas que espero não dizer daqui pra frente, e se um dia disse, por favor, passem uma borracha. Quero estar sempre aberta pra novas emoções, novas vidas, novas pessoas. E eu mesma sendo uma dessas novas pessoas. Quero me renovar, crescer, aprender, fluir, viver intensamente. Quando finalmente eu partir desta vida, tenham a certeza de que poderão falar sem maldade: "já vai tarde", porque terei vivido tudo o que tinha pra viver, terei sentido o que havia pra sentir, terei amado quem havia pra amar. E já será mais do que hora de partir então pra outra jornada em outra dimensão pra depois começar outra jornada, outra vida...
(por Zailda Mendes) Não fala difícil!!!Professora de inglês e espanhol, na verdade me vejo duelando com a língua pátria todo dia... é como me dizia um ex-namorado virtual lá da terrinha do "pois, pois", quando eu dava uma bela "derrapada" na ortografia, aquela "misturada" básica entre nosso idioma e qualquer coisa que eu tenha falado durante o dia em algum idioma ou dialeto qualquer: "Não assassina o português!" Nem sei bem se era do idioma que ele falava (penso que sim), ou se era dele mesmo, mas enfim... quem é que nunca deu um "fora" daquelas, se enrolando com aquelas palavrinhas que só vemos mesmo em dicionário e no discurso de gente metida a besta? Nem sempre usadas corretamente, diga-se de passagem. Alguns usam as palavras como estandarte e não como forma de comunicação. Foi numa dessas que aconteceu o mal-entendido. Meu namorado e minha (futura) sogra estavam discutindo sobre igreja, e surgiu uma dúvida: ela achava que eu a tinha convidado pra ir à Missa. - Impossível - ponderou ele - porque a Zailda é agnóstica. Minha sogra fez uma cara de "ah, é? não sabia" e ficou por isso mesmo. Domingo à hora do almoço, estou na cozinha dela (fui convidada pro almoço), junto com alguns parentes e amigos (dela, claro). E chega a "hora da verdade". - Eu disse pro Marques que você tinha me convidado pra ir à Missa e ele me disse que não, porque você era... como é mesmo? Ah... porque você é lésbica. A colherada que eu levava à boca ficou congelada no ar, eu não sabia bem se tinha ouvido mesmo isso.. como é que é????? Lésbica eu???? Como assim???? As outras pessoas me olhavam com um ar entre divertido e surpreso. Eu me sentia presa a uma armadilha do vernáculo que eu não sabia como desarmar. Até que (enfim!) fez-se a luz na minha já confusa cabeça (também, nessa altura do campeonato...) Ah, não! Não é lésbica... é agnóstica. E toca a explicar aos presentes o que é isso... - Agnóstica - repete ela - vou ter que decorar. Pra mim lésbica e agnóstica era tudo a mesma coisa. - Não - me oponho - melhor não. Quando contar isso, diga simplesmente que eu acredito em Deus mas não sigo nenhuma religião. Ela concorda e eu respiro aliviada. Sogra falando difícil é muito arriscado. (Zailda Mendes)
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